A experiência de Japeri, na Baixada Fluminense, voltou a colocar a Tarifa Zero no centro do debate sobre mobilidade urbana em Petrópolis. A vereadora Professora Lívia (PCdoB) esteve no município para conhecer de perto os resultados do programa de transporte público gratuito e dialogar com moradores e gestores sobre os impactos sociais e econômicos da política pública, considerada uma das mais importantes iniciativas de mobilidade urbana da cidade.
Durante a visita, a parlamentar percorreu linhas municipais, conversou com usuários do sistema e destacou que a experiência demonstra que a Tarifa Zero é uma política capaz de ampliar direitos, fortalecer o comércio local e garantir maior acesso da população aos serviços públicos.
“Viemos a Japeri para conhecer uma experiência concreta que mostra que a Tarifa Zero funciona. Quando o transporte deixa de ser um obstáculo, as pessoas conseguem estudar, trabalhar, acessar os serviços de saúde e consumir no comércio local. É uma política que transforma a vida das pessoas e movimenta a economia da cidade”, afirmou a vereadora.
Resultados positivos em Japeri
Implantado pela Prefeitura de Japeri, o Programa Tarifa Zero opera atualmente cinco linhas municipais gratuitas, realizando cerca de 220 viagens por dia e transportando aproximadamente 300 mil passageiros somente em 2026, segundo relatório apresentado pela administração municipal.
Os dados apontam que cada usuário frequente economiza, em média, R$ 321,60 por mês, recurso que deixa de ser gasto com passagens e passa a ser destinado à alimentação, saúde, educação e outras necessidades das famílias.
Além da economia direta para a população, o relatório destaca impactos importantes em diversas áreas: ampliação do acesso aos bairros e aos serviços públicos; fortalecimento da economia local, com maior circulação de consumidores; aumento da atividade comercial; crescimento da arrecadação municipal; expansão da oferta de transporte entre diferentes regiões da cidade.
Na saúde, os números também chamam atenção. Antes da implantação da Tarifa Zero, entre maio de 2024 e abril de 2025, o Hospital Municipal registrou 62.282 atendimentos. Após a implantação e a ampliação da rede de transporte, esse número passou para 101.107 atendimentos, um aumento de 62,3%, indicando que a melhoria da mobilidade facilitou o acesso da população aos serviços de saúde.
O relatório também registra crescimento na arrecadação do ICMS, que passou de R$ 33 milhões em 2024 para R$ 38,4 milhões em 2025, aumento de aproximadamente 16,2%, acompanhado de maior movimentação econômica no município.
Modelo já avança em diversas cidades brasileiras
Para a vereadora, a experiência de Japeri reforça uma tendência nacional. Diversos municípios brasileiros já adotaram sistemas de transporte público gratuito, demonstrando que a política é viável quando há planejamento e financiamento adequado.
No Estado do Rio de Janeiro, cidades como Magé e Teresópolis já possuem programas de Tarifa Zero em linhas municipais. Fora do estado, Juiz de Fora (MG) também implantou modelo de gratuidade em parte do sistema de transporte coletivo, ampliando o debate sobre novas formas de financiamento da mobilidade urbana.
Segundo Lívia, essas experiências mostram que o transporte público deve ser tratado como investimento social e econômico, e não apenas como um custo.
“Quando investimos em mobilidade, investimos na economia da cidade. Mais pessoas circulando significa mais movimento no comércio, mais acesso ao trabalho, à cultura, à educação e à saúde. Não é uma despesa; é um investimento que retorna em desenvolvimento econômico e qualidade de vida”, destacou.
FUNTAZ: alternativa para financiar a Tarifa Zero em Petrópolis
Durante a visita, a vereadora voltou a defender a criação de mecanismos permanentes de financiamento da Tarifa Zero em Petrópolis.
Ela lembrou que apresentou o projeto de criação do FUNTAZ – Fundo Municipal da Tarifa Zero, instrumento que buscava estruturar financeiramente a futura implantação da política no município.
Entretanto, o projeto foi vetado pelo prefeito Hingo Hammes (PP), impedindo a criação de um fundo específico para receber recursos destinados ao financiamento da gratuidade no transporte coletivo.
Para a vereadora, o veto demonstra falta de compromisso da atual gestão com soluções estruturantes para o transporte público. “O prefeito Hingo Hammes preferiu fechar a porta para o debate em vez de construir uma alternativa para a população. Vetar o FUNTAZ foi vetar o planejamento, foi vetar a possibilidade de Petrópolis começar a estruturar financeiramente uma política que já melhora a vida de milhares de pessoas em outras cidades. Enquanto Japeri, Magé, Teresópolis e tantos outros municípios avançam, nossa cidade permanece parada por falta de vontade política”, criticou.
Benefícios que podem chegar a Petrópolis
Para a Professora Lívia, os resultados observados em Japeri e em diversas outras cidades do estado do Rio de Janeiro, podem ser reproduzidos em Petrópolis caso o município implemente uma política consistente de Tarifa Zero.
Entre os impactos esperados estão: aumento da circulação de consumidores no comércio local; fortalecimento da economia dos bairros; maior acesso ao emprego e à geração de renda; ampliação do acesso à educação e aos serviços de saúde; redução dos gastos das famílias com transporte; estímulo ao turismo interno e à economia criativa; maior inclusão social e redução das desigualdades territoriais.
“Se deu certo em outras cidades brasileiras, Petrópolis também pode construir esse caminho. Nosso compromisso é continuar debatendo alternativas para garantir um transporte público mais acessível, eficiente e que coloque as pessoas no centro das políticas públicas. A Tarifa Zero significa ampliar direitos, fortalecer a economia e melhorar a qualidade de vida da população petropolitana”, concluiu a vereadora.