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Na tarde desta quinta-feira (27), foi realizado o ato “Ocupa Rubens Paiva: Tortura Nunca Mais” na Praça Lamartine Babo, na Tijuca, onde há um busto em homenagem ao ex-deputado federal assassinado pela ditadura. O evento, mobilizado por partidos de esquerda, organizações de direitos humanos, movimentos sociais, sindicatos, e parlamentares, foi realizado em frente à antiga sede do DOI-Codi, um dos principais centros de tortura, prisões ilegais, violação dos direitos humanos e violências das mais variadas formas.

O ato também teve o objetivo de pressionar o poder público a transformar a antiga sede do DOI-Codi em um Museu da Memória dedicado às vítimas da ditadura militar. Segundo a Agência Brasil, “o Iphan já se manifestou sobre o assunto ao dizer que a prioridade do órgão em 2025 é o processo de tombamento do prédio. O posicionamento segue recomendação do Ministério Público Federal (MPF) para avançar no tombamento, que tramita no Iphan desde 2013”.

O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) foi uma das organizações mais atuantes na luta contra a ditadura e teve centenas de militantes e dirigentes presos ilegalmente, torturados e assassinados, alguns deles dentro do DOI-Codi da Barão de Mesquita. O Secretário Estadual de Formação do PCdoB-RJ,  José Roberto Luna, que foi um dos militantes do Partido preso e torturado naquele local, falou sobre a sua prisão e destacou a importância do ato para homenagear e lembrar da luta e da memória de Rubens Paiva e de todos os brasileiros e brasileiras que tiveram suas vidas ceifadas enquanto defendiam a democracia e a liberdade:

“Eu fui hóspede dessa casa aqui atrás, fui muito bem tratado, me quebraram uma clavícula, duas costelas, e eu só não fui morto porque o professor Fragoso da FND colocou em todos os jornais no dia seguinte a informação da minha prisão, caso contrário teriam me matado como mataram Bicalho, Roque, Armando Frutuoso, que eram da nossa secretaria de organização. Assim como mataram Rubens Paiva, uma vítima da ditadura que teve ruptura de órgãos internos durante a tortura e depois deram cabo no seu corpo. O ato de hoje é uma justa homenagem a um deputado federal muito corajoso, uma homenagem muito justa a um dos heróis da resistência do povo brasileiro”.

Militantes, dirigentes e parlamentares do Partido como Jandira Feghali e Dani Balbi, participaram do ato. A deputada federal apoiou a criação do Museu dedicados às vítimas da ditadura e salientou a necessidade de promover a memória sobre a luta na ditadura para ampliar a consciência do povo brasileiro acerca da importância da democracia:

“É necessário gerar consciência democrática na população brasileira e levantar bem alto a bandeira da luta pela democracia no Brasil, gerando para as novas gerações mais informação. Portanto, a criação do Museu da Memória é fundamental para que essa consciência se perpetue e para que nunca mais nenhum brasileiro proponha intervenção militar, AI-5, ou ditadura militar, porque fizeram barbaridades naquele período e os familiares dos desaparecidos políticos estão sofrendo até hoje, sem poder nem mesmo enterrar seus entes queridos”, afirmou Jandira.

A deputada estadual, Dani Balbi, falou sobre o legado histórico de todos e todas que lutaram contra a ditadura e sobre a responsabilidade dos democratas contemporâneos de consolidar o Estado Democrático de Direito no Brasil:

“A maioria daqueles que tombaram eram democratas que tinham sonhos, que tinham horizontes mais largos, horizontes que a democracia formal burguesa não podia conter, muito menos prever. E o legado deles hoje, de Rubens Paiva, Osvaldão, Elenira Rezende, e tantos outros, está sob a nossa responsabilidade, pesa sobre os nossos ombros a obrigação de garantir a efetivação desse Estado Democrático de Direito para garantir que essa classe trabalhadora possa ter as suas necessidades atendidas e para que o poder público possa efetivar políticas públicas para a superação das desigualdades estruturais”, afirmou a parlamentar do PCdoB.

Vera Paiva, filha de Rubens e Eunice Paiva, também compareceu ao ato em frente ao antigo DOI-Codi e fez questão de lembrar dos anos de terror vividos naquele lugar por centenas de brasileiros e brasileiras que ousaram defender a democracia durante a ditadura militar: “Esse foi um dos primeiros marcos de memória dos lugares onde pessoas foram torturadas e assassinadas durante o período da ditadura militar. Meu pai esteve lá, minha mãe esteve lá, minha irmã Eliana esteve lá. Centenas de pessoas pereceram em lugares como esse”.